Sou totalmente favorável à ideia de
se preservar e estimular a memória do nosso folclore, mas criar o Dia do Saci
exatamente na mesma data em que os norte americanos comemoram o Halloween, em
31 de outubro, apenas para se contrapor à chegada desse festejo em terras
tupiniquins e para atender a interesses meramente ideológicos, é para mim falta
do que fazer e mais uma parte da estúpida fobia anti yankee que impera por aqui,
além, é claro, dos interesses comerciais que estão por trás do Dia do Saci em
cidades do interior paulista.
O surgimento de datas
comemorativas parte geralmente de um marco histórico, através da tradição oral ou
da prática de certos usos e costumes. Isso faz com que naturalmente nasça o interesse
entre a população e que ele vá crescendo ao longo do tempo, até que se torne um
dia especial, e, por consequência, há a sua comemoração. Então, é nesse momento
que o Estado intervém e cria oficialmente uma data para a satisfação popular.
Infelizmente, apesar de existirem
inúmeras e ricas tradições regionais no Brasil, somos quase órfãos de tradições
nacionais surgidas espontaneamente da população, então, é preciso que o Governo
as crie através de leis e regulamentos, o que é lamentável.
Se ao menos não estivessem, nesse
momento, preocupados com a análise dos escritos “subversivos” de Monteiro
Lobato, e incentivassem a sua leitura, talvez a tradição do Dia do Saci surgisse
de maneira espontânea e natural no seio da população e se espalhasse por todo o
Brasil.
Óbvio das obviedades é o fato de
que os nossos governantes invariavelmente consideram a população brasileira idiota,
que não têm a mínima capacidade de escolher o que mais lhe agrada e que é totalmente
submissa aos modismos estrangeiros, devendo, portanto, ser tutelada pelo Estado
através de uma infinidade de leis, algumas delas desnecessárias, como, por
exemplo, no meu entendimento, a do Dia do Saci.
Deve ser por isso que pagam tão
bem os parlamentares e tão mal aos professores!

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