terça-feira, 9 de outubro de 2012

Voto nulo


Diversas pessoas tem se manifestado contrariamente ao voto nulo. Obviamente que diante da nossa compulsória democracia o voto nulo de um ou outro eleitor de nada vale, pois ele simplesmente é desconsiderado na apuração e para definição do vencedor, ou seja, os votos nulos ou em branco são considerados inválidos.
Então, para ser eleito, o candidato deve obter a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, pelo menos 50% de todos os votos válidos mais um voto, não computados os brancos, os nulos e as abstenções.
Nesse sentido, assiste razão aos que dizem que de nada adianta anular o voto para tentar “melar” a eleição, mesmo que se intentasse a totalidade, pois sempre haverá um candidato vencedor, nem que seja apenas com o próprio voto.
Portanto, a utopia de que um dia ao efetuarem a contagem dos votos encontrarão apenas votos brancos e nulos, o que tornaria o pleito nulo também, é totalmente inconcebível numa sociedade tão grande e diversificada como a nossa.
Todavia, entendo que o voto nulo ou em branco serve de medida para observar o descontentamento dos eleitores com relação a tudo isso que está ai, em que pese já termos presenciado outras formas de demonstração, como, por exemplo, o grande número de abstenções que vem se superando a cada eleição.
Ocorre que o simples fato de o eleitor comparecer à seção eleitoral para votar nulo ou em branco pode ser considerado uma demonstração muito mais forte desse descontentamento, tendo em vista o seu desejo de participar da eleição votando dessa forma. Já as abstenções podem ocorrer em função de uma série de fatores, como por preguiça ou por vontade de curtir o feriado, além do que a multa imposta é irrisória, então não teria o mesmo peso na constatação desse grandioso descontentamento que imagino está entre nós brasileiros.
Ademais, como a cada dois anos temos sempre mais do mesmo, basta ver o eterno candidato Serra e a polarização entre PT e PSDB que domina o quadro eleitoral há vários pleitos, é injusto obrigar o já obrigado eleitor a escolher um entre meia dúzia de nomes aquele que melhor poderia lhe representar se não gosta de nenhum deles..
Em Guarulhos, cidade onde voto, os candidatos a prefeito nessa próxima eleição são praticamente os mesmos da eleição passada e da retrasada, então, se nenhum deles me agrada, por qual motivo devo dar-lhes meu voto?
Por isso, apesar de sempre procurar escolher um candidato que mais se aproxime dos meus anseios como cidadão, defendo o voto nulo ou em branco como uma forma democrática de contestação a tudo isso que está ai, seja pelo despreparo ou pela inidoneidade dos candidatos, ou ainda pelo fato de haver a obrigatoriedade de participar do processo eleitoral, já que para mim democracia é espontaneidade - um convite e o desejo de participar - e não imposição.

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